Saio da estação, carregada de malas, cansada da semana e da
viagem. É sexta-feira. E ali está ele, encostado à porta do seu carro, de
braços cruzados. Olha para mim e sorri-me. Como eu amo o sorriso dele. Não sei
exactamente o momento em que apaixonei por ele, talvez tenha sido naquele banco
de escola no dia em que olhei para ele com olhos de ver. Engraçado pensar há
quanto tempo ele por ali andava, a quantidade de vezes que nos tínhamos cruzado
e eu nunca tinha reparado nele porque estava demasiado agarrada à dor ou a um
amor que nunca teria pernas para andar. Engraçado como eu viria a descobrir que
o grande amor da minha vida estava ali, mesmo ao meu lado, que já me tinha
olhado tantas vezes e eu nunca o tinha olhado como devia ser. Mas olhei naquele
dia. E, não sei bem porquê, captou de imediato a minha atenção. Talvez tenha
sido o seu tique de mexer no cabelo, o seu sorriso ou então aquele ar
misterioso que transpareceu. E aqui está ele, a vir na minha direcção para me
ajudar a carregar as malas. Existem poucos rapazes como ele, mesmo com todos os
defeitos que tem (não existem pessoas perfeitas!). É bonito. Fiel. Sincero. Apaixonado por mim. É meu amigo. E
mesmo quando discutimos e ele mostra a parte menos bonita eu sei, com todas as
certezas, que não poderia ter melhor ao meu lado. Um beijo. É sexta-feira e
estou aqui, com ele, depois de uma semana afastados. E não tenho preocupações.
Estou com ele e estou feliz.

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