sábado, 7 de fevereiro de 2015

Sexta-Feira

Saio da estação, carregada de malas, cansada da semana e da viagem. É sexta-feira. E ali está ele, encostado à porta do seu carro, de braços cruzados. Olha para mim e sorri-me. Como eu amo o sorriso dele. Não sei exactamente o momento em que apaixonei por ele, talvez tenha sido naquele banco de escola no dia em que olhei para ele com olhos de ver. Engraçado pensar há quanto tempo ele por ali andava, a quantidade de vezes que nos tínhamos cruzado e eu nunca tinha reparado nele porque estava demasiado agarrada à dor ou a um amor que nunca teria pernas para andar. Engraçado como eu viria a descobrir que o grande amor da minha vida estava ali, mesmo ao meu lado, que já me tinha olhado tantas vezes e eu nunca o tinha olhado como devia ser. Mas olhei naquele dia. E, não sei bem porquê, captou de imediato a minha atenção. Talvez tenha sido o seu tique de mexer no cabelo, o seu sorriso ou então aquele ar misterioso que transpareceu. E aqui está ele, a vir na minha direcção para me ajudar a carregar as malas. Existem poucos rapazes como ele, mesmo com todos os defeitos que tem (não existem pessoas perfeitas!). É bonito. Fiel. Sincero. Apaixonado por mim. É meu amigo. E mesmo quando discutimos e ele mostra a parte menos bonita eu sei, com todas as certezas, que não poderia ter melhor ao meu lado. Um beijo. É sexta-feira e estou aqui, com ele, depois de uma semana afastados. E não tenho preocupações. Estou com ele e estou feliz.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Carta para as velhas amizades

Minhas velhas e caras amigas,
Antes de mais desculpem-me todas as formalidades desta carta mas já se passaram tantos anos que não sei de que forma me devo dirigir a vocês. É uma pena que tenhamos perdido o à vontade de outrora, que se tenha perdido a confiança suficiente para vos poder chamar o nome mais feio, nunca levávamos a mal. Era um hábito entre nós, saudável acredito, porque nunca foi feito com maldade.
Escrevo-vos para dizer que sinto muito que nos tenhamos afastado, foi a vida que se encarregou disso, tínhamos de seguir os nossos caminhos e em algum momento eles separaram-se. Recordo com uma nostalgia imensa os tempos em que éramos inseparáveis, colegas de turma, andávamos sempre juntas nos intervalos e quantos não foram os fins-de-semana em que dormimos juntas na casa de alguma de nós. Recordo que ficávamos acordadas até às tantas e o melhor disso é que nem sequer o fazíamos por estar agarradas a um computador ou qualquer outro tipo de tecnologia (para além do telemóvel que já se estava a tornar um vício). Tínhamos cerca de treze anos e éramos tão felizes. Sabem? Acho que fomos uma geração com sorte porque nascemos no meio-termo, já usávamos a tecnologia (mas não éramos dependentes dela) e brincávamos fora de casa. Recordo-me das férias de Verão, das idas à piscina onde encontrávamos tantos outros amigos, de estarmos no meu jardim a balançar na rede pendurada entre as duas árvores, das nossas saídas à noite que aconteciam apenas e só às festas da escola. Éramos umas miúdas ingénuas e extremamente felizes. E quero agradecer-vos por terem feito parte dessa etapa da minha vida. Embora nos tenhamos afastado e embora, muito provavelmente, já não nos identifiquemos umas com as outras, fizeram-me feliz e tiveram um importante papel na pessoa que sou hoje e, principalmente, proporcionaram-me uma pré-adolescência feliz.

Sejam felizes!