Saio da estação, carregada de malas, cansada da semana e da
viagem. É sexta-feira. E ali está ele, encostado à porta do seu carro, de
braços cruzados. Olha para mim e sorri-me. Como eu amo o sorriso dele. Não sei
exactamente o momento em que apaixonei por ele, talvez tenha sido naquele banco
de escola no dia em que olhei para ele com olhos de ver. Engraçado pensar há
quanto tempo ele por ali andava, a quantidade de vezes que nos tínhamos cruzado
e eu nunca tinha reparado nele porque estava demasiado agarrada à dor ou a um
amor que nunca teria pernas para andar. Engraçado como eu viria a descobrir que
o grande amor da minha vida estava ali, mesmo ao meu lado, que já me tinha
olhado tantas vezes e eu nunca o tinha olhado como devia ser. Mas olhei naquele
dia. E, não sei bem porquê, captou de imediato a minha atenção. Talvez tenha
sido o seu tique de mexer no cabelo, o seu sorriso ou então aquele ar
misterioso que transpareceu. E aqui está ele, a vir na minha direcção para me
ajudar a carregar as malas. Existem poucos rapazes como ele, mesmo com todos os
defeitos que tem (não existem pessoas perfeitas!). É bonito. Fiel. Sincero. Apaixonado por mim. É meu amigo. E
mesmo quando discutimos e ele mostra a parte menos bonita eu sei, com todas as
certezas, que não poderia ter melhor ao meu lado. Um beijo. É sexta-feira e
estou aqui, com ele, depois de uma semana afastados. E não tenho preocupações.
Estou com ele e estou feliz.
sábado, 7 de fevereiro de 2015
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Carta para as velhas amizades
Minhas velhas e caras amigas,
Antes de mais desculpem-me todas as formalidades desta carta
mas já se passaram tantos anos que não sei de que forma me devo dirigir a vocês.
É uma pena que tenhamos perdido o à vontade de outrora, que se tenha perdido a
confiança suficiente para vos poder chamar o nome mais feio, nunca levávamos a
mal. Era um hábito entre nós, saudável acredito, porque nunca foi feito com
maldade.
Escrevo-vos para dizer que sinto muito que nos tenhamos
afastado, foi a vida que se encarregou disso, tínhamos de seguir os nossos
caminhos e em algum momento eles separaram-se. Recordo com uma nostalgia imensa
os tempos em que éramos inseparáveis, colegas de turma, andávamos sempre juntas
nos intervalos e quantos não foram os fins-de-semana em que dormimos juntas na
casa de alguma de nós. Recordo que ficávamos acordadas até às tantas e o melhor
disso é que nem sequer o fazíamos por estar agarradas a um computador ou
qualquer outro tipo de tecnologia (para além do telemóvel que já se estava a
tornar um vício). Tínhamos cerca de treze anos e éramos tão felizes. Sabem?
Acho que fomos uma geração com sorte porque nascemos no meio-termo, já usávamos
a tecnologia (mas não éramos dependentes dela) e brincávamos fora de casa. Recordo-me
das férias de Verão, das idas à piscina onde encontrávamos tantos outros
amigos, de estarmos no meu jardim a balançar na rede pendurada entre as duas
árvores, das nossas saídas à noite que aconteciam apenas e só às festas da
escola. Éramos umas miúdas ingénuas e extremamente felizes. E quero
agradecer-vos por terem feito parte dessa etapa da minha vida. Embora nos
tenhamos afastado e embora, muito provavelmente, já não nos identifiquemos umas
com as outras, fizeram-me feliz e tiveram um importante papel na pessoa que sou
hoje e, principalmente, proporcionaram-me uma pré-adolescência feliz.
Sejam felizes!
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