Minhas velhas e caras amigas,
Antes de mais desculpem-me todas as formalidades desta carta
mas já se passaram tantos anos que não sei de que forma me devo dirigir a vocês.
É uma pena que tenhamos perdido o à vontade de outrora, que se tenha perdido a
confiança suficiente para vos poder chamar o nome mais feio, nunca levávamos a
mal. Era um hábito entre nós, saudável acredito, porque nunca foi feito com
maldade.
Escrevo-vos para dizer que sinto muito que nos tenhamos
afastado, foi a vida que se encarregou disso, tínhamos de seguir os nossos
caminhos e em algum momento eles separaram-se. Recordo com uma nostalgia imensa
os tempos em que éramos inseparáveis, colegas de turma, andávamos sempre juntas
nos intervalos e quantos não foram os fins-de-semana em que dormimos juntas na
casa de alguma de nós. Recordo que ficávamos acordadas até às tantas e o melhor
disso é que nem sequer o fazíamos por estar agarradas a um computador ou
qualquer outro tipo de tecnologia (para além do telemóvel que já se estava a
tornar um vício). Tínhamos cerca de treze anos e éramos tão felizes. Sabem?
Acho que fomos uma geração com sorte porque nascemos no meio-termo, já usávamos
a tecnologia (mas não éramos dependentes dela) e brincávamos fora de casa. Recordo-me
das férias de Verão, das idas à piscina onde encontrávamos tantos outros
amigos, de estarmos no meu jardim a balançar na rede pendurada entre as duas
árvores, das nossas saídas à noite que aconteciam apenas e só às festas da
escola. Éramos umas miúdas ingénuas e extremamente felizes. E quero
agradecer-vos por terem feito parte dessa etapa da minha vida. Embora nos
tenhamos afastado e embora, muito provavelmente, já não nos identifiquemos umas
com as outras, fizeram-me feliz e tiveram um importante papel na pessoa que sou
hoje e, principalmente, proporcionaram-me uma pré-adolescência feliz.
Sejam felizes!
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